terça-feira, 17 de março de 2015

Vinho sem álcool. Mas pode me chamar de "suco de uva"

Carissimi amici, enófilos de mon p'tit coeur, acabei de ver uma coisa que me fez "cair os butiá do bolso", tchê!

Nesta noite de garoinha broxa, fui à Galeria dos Pães (que já teve seus dias de glória) para uma refeiçãozinha sanduíchica. Jantei, levantei e fui explorar a parte do mercadinho, quando sou surpreendido por uma garrafa. Ei-la:


Confesso que nunca tinha visto no mercado um suco de uva feito de Vitis vinifera. Até aí OK. Agora o que me estarreceu foi o preço! TRINTA E NOVE lascas brasileiras!!!!! O que, meu Deus do céu, justifica cobrar por um suco de uva quase o mesmo preço de uma garrafa de vinho, sendo que a produção do suco de uva é infinitamente mais simples? Já volto ao assunto.

O produtor desse suco é a Sanjo (http://www.sanjo.com.br/), Cooperativa Agrícola de São Joaquim, que também - surprise, Shanghai, produz vinhos! Bom, quem já acumulou boa litragem no mundo do vinho sabe que vinho de cooperativa é, em geral, roubada, cilada e arapuca (vide as lendárias zurrapas da gaúcha Aurora).

Acontece que, pelo menos, a Aurora produz zurrapas intragáveis (perdoem o pleonasmo), mas razoavelmente baratas. Agora, essa cooperativa catarinense é ousada, abusada, dir-se-ia topetuda. Se, como dizem os antigos, pelos dias santos se tiram os feriados, se eles cobram 39 pilas por um suco de uva de Cabernet Sauvignon (imagina se fosse de Pinot Noir!!!), quanto será que cobram por um vinho de Cabernet Sauvignon? Eis a resposta (sugiro ter um cardiologista ou uma ambulância com UTI à mão ao vê-la):


E a coisa fica pior:


PUTA QUE ME PARIU DE CÓCORAS NUMA SEXTA-FEIRA TREZE DE MAIO DEBAIXO DE CHUVA EM CIMA DE UM MONTE FUMEGANTE DE ESTRUME!!!!!

Isso é prova cabal e inconteste de que a vitivinicultura brasileira perdeu de vez o senso de proporção! Será que essas uvas da Sanjo (tanto para vinho quanto para suco de uva)foram plantadas por sacerdotisas mesopotâmicas virgens ressuscitadas, do harém de Nabucodonosor, em noite de quarto minguante, e adubadas com cocô de ornitorrinco transplantado para as tundras siberianas e xixi do primo de Viriato, alimentado com lentilhas da Cochinchina?

Em euros, meus queridos, esses vinhos custam, respectivamente, 29 e 43, ao câmbio de hoje. O suco de uva custa a pechincha de 11,35. Vocês, que vão bastante à França, me digam: o que se compra na frança com 29 e 43? Grandes vinhos, sem dúvida nenhuma.

Volto ao suco de uva. Para não deixá-los órfãos de comparações, meus filhos, capturei uma tela de uma loja online francesa (http://www.edelices.com/) que vende sucos de uvas viníferas dos Alpes do Ródano (uma região no mínimo com mais "quilometragem colhida" do que a pobre serra catarinense) a um preço que, convertido em garrafas de 750 ml, corresponde a 8,86 e 10,22. At any rate, mais barato do que o suquinho barriga-verde.

Estou seriamente desconfiado de que os produtores do Estado de Santa Catarina estão querendo ficar ricos rápido. Afinal, o que é cobrar 150 reais por um Chardonnay feito com baciadas de uvas compradas sabe-se lá de onde se outro "luminar" da vitivinicultura catarinense (a Rabicó Pericó) cobra mais de 200 reais por um ice wine de quinta categoria?



Quanto pode custar a produção de um litro de suco de uva? Pode botar imposto em cima. Nem estou entrando no mérito da qualidade (não provei nem o catarinense nem o francês), mas não tenho dúvida de que o suco catarinense não paga nem placê para os sucos de uva franceses.

Enfim, caríssimos, encerro com uma paráfrase do meu bom Obelix: ils sont fous, ces cathariniens!

Um comentário:

  1. Até que enfim alguém que diz verdades incontestáveis sobre a ganância incontrolável de nossos produtores de quase-vinhos.
    Parabéns

    ResponderExcluir