sexta-feira, 31 de julho de 2015

Como resfriar rapidamente uma garrafa de vinho

Está tudo pronto para aquele jantar agendado há semanas com seus amigos na sua casa: os preparativos na cozinha correram sem tropeços, a mesa está posta, enfim, tudo maravilhoso. Mas como a Lei de Murphy é implacável, todos os planos milimetricamente feitos saem dos trilhos por um pensamento: "E il viiiiinooooo????" (**).

Ele ficou lá, esquecido sabe-se onde na cozinha, fora de temperatura, sem condições de ser servido assim aos caros amigos. Como fazer, então, para esfriar rapidamente uma garrafa, evitando, assim, um tremendo papelão diante dos convivas? Nada de enfiar a garrafa no freezer, nem aquele truque de deixar correr aquela agüinha gelada marota do filtro. A solução é bem simples: basta uns cubos de gelo e um punhado de sal. Antes de continuar, porém, é necessário verificar se você tem à mão não apenas o gelo, mas também um balde para vinho (vulgo glacette), de preferência elegante para que possa ser levado à mesa. Assim, você poderá transformar uma tragédia de última hora num toque chique que com certeza agradará aos presentes.


RESFRIAR O VINHO - A PRÁTICA



O processo para resfriar uma garrafa de vinho é muito simples, mas também muito eficaz. A operação se fundamenta na clássica troca de energia na forma de calor entre a garrafa e o gelo, sendo acelerada pela ação da osmose, típica do sal. Vejam aqui os três passos essenciais:

1. Preparação: começa-se jogando dois punhados de sal no fundo do baldinho, rodeados por alguns cubos de gelo. Assim, cria-se uma espécie de apoio para a garrafa, para garantir que ela fique sempre no centro: Aquela posição da garrafa que vemos muito em restaurantes, numa inclinação de mais ou menos 50-60 graus, pode diminuir a velocidade do resfriamento, além de fazer com que ele não se produza de maneira uniforme.

2. Inserção: posiciona-se a garrafa no centro, com o sal que formará a base e os cubos de gelo que darão o apoio. Em seguida, os espaços vazios devem ser preenchidos com mais gelo, até chegar à extremidade do balde. É muito importante que o processo seja feito exatamente desse modo, pois com certeza é muito difícil tentar inserir a garrafa e manter seu equilíbrio se os cubos de gelo já estiverem colocados.

3. Ativação e tempo: para ativar, ou acelerar, o processo, podemos cobrir a última camada de gelo com um pouco mais de sal, mas sem exagerar na quantidade: um punhado é mais que suficiente. Então, basta esperar 10 minutos, e o vinho estará na temperatura ideal de serviço e, nesse momento, poderá ser transferido para um decanter para ser servido aos convidados, ou pode ser levado à mesa diretamente no balde (se ele for visualmente decente, bien entendu), caso você queira mantê-lo fresco por mais tempo.

A TEORIA



Agora, amável leitor, vou provar que, apesar de ter formação em Letras e coisa e tal, entendo bagarai de Física e Química. Sim, caros, sou um Renaissance man, um polímata.

Embora recorrer ao gelo para resfriar o vinho possa parecer banal, esse recurso é eficaz porque se apóia em processos químicos. Para derreter o gelo, é necessário retirar energia do entorno. Essa energia se manifesta na forma de calor, cuja fonte mais próxima é a nossa rica garrafinha.

Normalmente, a fusão (ou seja, a passagem da água do estado sólido para o estado líquido) não é muito veloz, pois há muitas varáveis em jogo, como a temperatura ambiente. E eis porque o sal é tão importante. Graças ao processo de osmose (ou seja, a capacidade natural de atrair líquidos para si), o sal diminui o ponto de solidificação da água, facilitando o derretimento a temperaturas abaixo do normal. É por isso que, no inverno dos países mais frios, costuma-se jogar grandes quantidades de sal nas ruas congeladas, para evitar a solidificação, ainda que a coluna de mercúrio esteja próxima de 0°C. Acelerando o derretimento, a troca térmica exigirá quantidades maiores de calor, resfriando o vinho com mas rapidez, salvando o jantar do amável leitor, portanto, de um vexame "vexaminoso".

Dica: o mesmo sistema pode ser usado para qualquer outro tipo de bebida.

(**) Essa frase exclamativa eu tirei deste trecho do filme Sicilia!, da dupla de cineastas Straub e Huillet. Assistam.


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