sábado, 29 de julho de 2017

Erros crassos (2): Sete coisas que NUNCA devem ser feitas com um bom vinho

Vinho é sinônimo de alegria, espírito leve e compartilhamento, mas também é coisa séria. Um passo em falso, uma pequena precaução não observada, pode comprometer a qualidade da bebida e (dependendo do caso, da taça) pode fazer você pagar um mico homérico. E se você gastou uma pequena fortuna para festejar ou para impressionar alguém com um vinho de um grande produtor ou uma grande safra, considere-se excomungado da igreja de Baco se não prestar atenção a algumas regras. Alguns itens fundamentais não podem ser ignorados por quem quer apreciar a fundo as várias nuanças de um vinho, seu território de origem, sua essência. Além disso, não precisa muito para arruinar a harmonização com um prato que você preparou. Apresento aqui sete coisas que nunca devem ser feitas com um bom vinho.

1. Beber num copo de plástico. Vamos começar com o que é considerado uma verdadeira blasfêmia pelos amigos do vinho: o copo de plástico. Ele inibe os aromas do vinho e, mais que isso, impede que se aprecie a cor e os reflexos, que são componentes importantes da experiência de degustação. O copo de plástico acaba com a poesia do gole. A obrigação é usar pelo menos uma taça de vidro, se não houver uma de cristal à mão, escolhida com cuidado de acordo com o tipo de vinho a ser degustado. existem taças de vidro bastante econômicas no mercado. Não há desculpa.

2. Resfriar o vinho com cubos de gelo. Se você está à mesa ou prestes a servir um aperitivo em pleno verão, nunca ponha cubos de gelo na taça de vinho, seja ele branco, tinto ou rosado. Isso deixa o vinho aguado, comprometendo suas qualidades organolépticas e, sem dúvida, pode matar do coração seus convidados conhecedores de vinhos se você servir um vinho "importante" ou até mesmo de uma safra antiga. O mais importante é procurar respeitar as temperaturas de serviço (alguns vinhos apresentam essa informação no contra-rótulo), usando uma camisa de resfriamento ou comprando um porta-garrafas refrigerado (chillpod): Em outro artigo explico a finíssima arte de usar a boa e velha geladeira para levar o vinho à temperatura certa.

3. Submeter o vinho a vibrações. Você está organizando a casa e pensando em posicionar uma adega climatizada bem "recheada" entre o sofá e as caixas do seu home theater porque "é chique bagarai"? Esqueça, caríssimo leitor. o vinho detesta vibrações de qualquer espécie. Ele precisa de sossego para evoluir da melhor maneira possível.

4. Conservá-lo de maneira errada. Chegamos a uma das regras de ouro da conservação do vinho, o ABC indicado em dez entre dez manuais usados pelos aspirantes a sommelier. O primeiro mandamento reza: jamais conservar ou estocar as garrafas de vinho ao lado de fontes de calor (fornos, fogões, etc.), sob a incidência direta da luz solar ou fluorescente, e em ambientes com odores fortes e persistentes. A cozinha, sem dúvida, não é o lugar adequado para guardar garrafas de vinho. No mundo ideal, elas deveriam ser colocadas numa adega com temperatura entre 14°C e 18°C e umidade constante; os brancos deveriam ser posicionados embaixo, e os lugares mais altos deveriam ser reservados aos tintos. Porém, no mundo real, nem todas as casas dispõem de uma adega. É possível comprar adegas climatizadas, mas o preço não costuma ser muito convidativo. Portanto, usando os "meios de fortuna", procure cantos frescos e pouco iluminados da casa (por exemplo, embaixo da escada ou um quartinho que não se use muito), que podem ser um bom cantinho para guardar suas garrafas de vinho, principalmente se você pretende abri-las dentro de pouco tempo.

5. Guardar em pé as garrafas de vinhos que pedem envelhecimento. Se você tiver amigos genero$o$ que lhe presentearam com um grande tinto de guarda ou um champagne, peço encarecidamente que não guarde a garrafa em pé. As garrafas são fechadas para que o vinho possa permanecer em contato com a rolha, uma precaução importante para a própria evolução do vinho, pois a cortiça é porosa e elástica, permitindo a micro-oxigenação. Esta regra não vale, por óbvio, se a tampa for de cortiça sintética, de vidro ou de alumínio (screw cap), e se você previr que o vinho será aberto em breve; nesses casos, a posição da garrafa importa pouco.

6. Ter pressa. Um vinho tinto decente e complexo nunca deve ser aberto e imediatamente servido. Se o vinho for simples, dá para brindar sem demora. Vinhos de safras antigas devem ser abertos com algumas horas de antecedência e ser transferidos para um decanter antes de serem servidos.

7. "Estourar o champagne". Um último conselho
para você não correr o risco de parecer um eno-ogro: as garrafas de espumante e de champagne não devem ser abertas como se faz nos pódios de Fórmula 1, dando um banho nos seus convidados (por mais que o efeito "teatral" seja bárbaro). Basta segurar a garrafa pelo fundo com uma das mãos, puxar a rolha com um movimento suave e alguns golpes de pulso, e segurá-la . É um gesto simples e, como dizem os italianos, fa figura.

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